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Nóticias do Papel

Pesquisa da UFSCar analisa discurso sobre mudanças climáticas na América Central

Tese do Programa de Pós-Graduação em Ciência, Tecnologia e Sociedade revela o comportamento da mídia em relação ao tema.

As mudanças climáticas têm sido alvo de muitas discussões e pesquisas científicas, ao redor do mundo, por conta dos efeitos que estão causando em todo o Planeta, como o aumento da temperatura mundial, o derretimento das calotas polares, o crescimento do nível de água dos oceanos, entre outros.

Nesse contexto, considerando a importância da produção de conhecimento qualificado sobre o assunto, Edi Efraín Bámaca López, guatemalteco e aluno de doutorado do Programa de Pós-Graduação em Ciência, Tecnologia e Sociedade (PPGCTS) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), desenvolveu a tese intitulada “¿De qué hablan? Discursos editorialistas em Centroamérica”, que analisa como grandes veículos de comunicação de El Salvador, Guatemala, Honduras e Nicarágua abordam as  mudanças climáticas.

O estudo foi realizado sob orientação de Valdemir Miotello, professor aposentado do Departamento de Letras (DL) da UFSCar.

O pesquisador selecionou o jornal impresso considerado mais influente em cada um dos quatro países e analisou seus editoriais durante o segundo semestre de 2016.

“Busquei entender o discurso editorialista utilizado em cada jornal e investiguei se a mudança climática foi um tema comentado e com qual viés”, sintetiza ele. Para isso, López utilizou, como principal aporte bibliográfico, a análise do discurso proposta por Mikhail Bakhtin, filósofo e pensador russo.

mudanças climáticas na América Central 

“A metodologia baseada na análise do discurso de Bakhtin foi fundamental para compreender os contextos social e político dos textos veiculados. Para Bakhtin, o discurso está sempre imerso em uma realidade e em um contexto específicos que devem ser considerados”, conta López.

Surpreendentemente, o aluno afirma que, no período selecionado para a pesquisa, não encontrou menções significativas às mudanças climáticas nos editoriais dos jornais escolhidos, o que demonstra um descaso e desinteresse pelo tema.

“Por exemplo, Honduras é considerado o país mais perigoso para os ambientalistas; é, também, um dos países com maior risco climático. No entanto, de 168 editoriais analisados, somente um cita a expressão ‘mudança climática’ e em um contexto totalmente discrepante da preocupante realidade em que vive o país”, destaca López. Nos jornais dos outros três países os resultados foram muito semelhantes ao caso de Honduras.

Para o autor da tese, a pesquisa revela que as informações divulgadas ao cidadão pela grande mídia, muitas vezes, não condizem com a realidade.

“Pude comprovar a hipótese de que a população está sendo, cada vez mais, alienada. O estudo faz, portanto, uma crítica ao discurso editorialista existente na América Central. No entanto, minha tese vai além dessa crítica; ela é composta por rostos, pessoas, que estão sofrendo diretamente por conta das mudanças climáticas e nada disso é retratado na mídia”, enfatiza ele.

Segundo o pesquisador, o discurso da mídia dos países analisados afasta o povo da realidade. ”

Nesse sentido, também é preciso repensar a formação dos comunicadores. Na realidade, muitos jornalistas não têm o preparo necessário para a abordagem de temas relacionados às ciências; entendo que é preciso formar jornalistas de ciência e para a ciência, para que temas como o das mudanças climáticas possam ser abordados com a complexidade que apresentam”, defende López.

Doutorado fora de casa

López conta que fez o seu mestrado – também sobre a temática de mudanças climáticas – na Espanha e chegou à UFSCar para realização de seu doutorado, por meio de uma bolsa conquistada junto à Organização dos Estados Americanos (OEA).

Segundo ele, seu maior desafio foi lidar com a Língua e cultura diferentes.

“Tive que dominar o Português e também optei por ficar longe de minha família e de minha cultura por um tempo. Passei por uma mudança cognitiva, que faz parte de um processo de doutorado – aprendi a maneira do Brasil de fazer ciência, que naturalmente é diferente do ‘fazer ciência’ de outros lugares”, conta.

Apesar dos percalços, o pesquisador defendeu sua tese de doutorado em um curto espaço de tempo – apenas dois anos e dois meses -, algo muito raro na Academia.

“Tive como principal motivação minha ética e minha moral, pois sempre quis fazer um trabalho bem feito, em curto espaço de tempo, para poder voltar ao meu país de origem, a Guatemala, e contribuir com a ciência de lá. Temos poucos doutores na Guatemala e o país necessita da contribuição científica para evoluir”, diz o pesquisador.

Por fim, ele destaca a importância do processo de internacionalização acadêmica, que é tão defendido e estimulado pela UFSCar.

“Tenho muito a agradecer ao Brasil e, principalmente, à UFSCar pela receptividade. O PPGCTS aplica, na prática, o que se vê em teoria, pois recepciona os estudantes de fora e concede grandes oportunidades de formação”, finaliza.

A defesa de doutorado de Edi Efraín López aconteceu no dia 9 de maio e teve como banca, além de Miotello, os professores Ana Luisa Halvick, da Universidad Rafael Landívar (Guatemala); Juan Martín, da Universidad Javeriana (Colômbia); Arthur Autran de Sá Neto, do Departamento de Artes e Comunicação (DAC) da UFSCar; e Wilson José Alves Pedro, do Departamento de Gerontologia (DGero) da UFSCar.

Da redação

 

Fonte: Celulose Online

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